fulvio faria

Palavra do Dia por Priberam

terça-feira, 21 de abril de 2026

Método dos Anéis Expostos da Cebola: ou como extinguir minha biblioteca

Extinguir minha biblioteca tem sido apagar várias versões minhas dos últimos vinte anos.

Comecei o processo de compra de livros movido pela mesma avidez com que lia. Era por volta dos meus quinze anos quando descobri a potência revolucionária da leitura. Lembro até hoje dos dilemas dessa tenra idade de conhecer a obra A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo, O Livre-Arbítrio, de Arthur Schopenhauer, e a biografia filosófica de Schopenhauer por Thomas Mann.

O processo de ter livros em posse avançou assim ao longo dos anos. Nos primeiros dez anos eram mais literaturas indicadas, na sua maioria, pelo sebeiro e amigo Levi. Nos últimos dez anos vieram livros de direito, em razão da profissão; outros técnicos, para consultorias cada vez mais técnicas; e muitos livros de política, sociologia e história.

Chegou um momento, no meio entre os trinta e os quarenta anos, em que se somavam dez estantes de aço cheias de folhas diversas.

Nessa inércia, com o tempo, mais ainda esse acervo se multiplicaria.

Até que veio uma grave crise na minha psique.

Era uma crise de pânico que me colocou numa crise de vida total.

Fiz todo o tratamento completo.

Completei-o também com novas incursões sobre o próprio sentido da vida, das coisas e pessoas que nos cercam. Lembrei muito de um título de episódio da série Cosmos, de Carl Sagan: A Persistência da Memória.

Sim, muitas vezes, títulos têm muito mais alcance e significância para além do seu próprio conteúdo. Não que o conteúdo não seja bom. É espetacular. Ainda mais sobre a importância da escolha da memória que de certa forma pode-se dizer presente indiretamente no que estou a tratar aqui.

Bom.

Nessas novas incursões aprofundei meus estudos e práticas budistas. Cheguei ao Dhammapada. Compreendi melhor o papel da memória e como ela intensifica sensações e nos arrasta para sentimentos longínquos. Lembrei de Carl Sagan e de seu título.

Memórias persistem em nós e ao nosso redor.

E com elas, sentimentos.

Como me livrar da dor de sentimentos?

Livra-se da memória.

Mas se há a persistência da memória, como se livrar dela?

Daí me veio a profundidade do pensamento de Buda, que tento aqui traduzir em minhas palavras.

A memória é fundante do ser. Ela mesmo é inscrita na sua condição genética. Há, assim, sua persistência no nosso inconsciente por várias formas.

Contudo, há camadas de memória e sua volatilidade no ser.

Semelhante a um computador que tem sua memória RAM, sua memória volátil, e seu hard disk, sua memória de duração.

Na filosofia budista entendi que os sentidos são alimentados por percepções que jogam no consciente memórias. Essas, enquanto voláteis e no consciente, na medida em que persistem passam, a conta-gotas, a entrar no inconsciente, a virar memória permanente pela persistência.

A persistência da memória é a reiteração, a repetição, nos sentidos, das mesmas percepções capturadas, das mesmas memórias.

Daí a conclusão: persistência de memórias nas percepções é igual à persistência delas no consciente e possível entrada no inconsciente.

A relação do ser com o mundo externo são, na essência, as percepções pelos sentidos.

Então era preciso escolher quais memórias, que estavam no mundo externo, deveriam persistir, e quais novas memórias poderiam dar novos sentidos ao consciente, ou ao menos diminuir sua dor.

Entendido esse mecanismo, compreendi que as memórias exteriores – aquelas alojadas no mundo externo – quanto mais se prolongavam e se tornavam duradouras no tempo, mais persistiam e mais ruído produziam no consciente.

Então era preciso diminuir o recorte temporal do meu consciente com essas memórias, tirando do meu contato físico aquelas mais antigas.

A primeira solução foi com as roupas.

Passei a doar aquelas que, ao longo de um mês, não usava.

Se em um mês não usei aquela peça de roupa, eu não devia guardá-la, não devia persisti-la.

Roupas: o recorte temporal de persistência da memória foi um mês.

Fiz isso com móveis, coisas outras da casa e por aí foi.

De imediato senti como a pressão das coisas antigas pressionava o consciente.

Memórias distantes começaram a não mais persistir. Memórias longínquas começaram a não mais insistir.

Quando essa equação funcionou, sobretudo com as roupas, voltei-me para minha vasta biblioteca, meu único e real patrimônio, e disse:

agora precisamos decidir, entre você e eu, o que deve persistir e o que já pode partir.

Comecei por aquilo que já de cara era fácil e não fazia mais sentido para mim.

Depois avancei, até chegar na minha coleção do prêmio Nobel de literatura.

Até ali já tinham partido duas estantes.

Foi então que desenvolvi aquilo que apelidei de Método dos Anéis Expostos da Cebola.

A cebola me serviu de imagem simples e precisa: cada anel externo protege os anéis internos. Quando o mais de fora é retirado, o seguinte assume a posição de proteção e, pela primeira vez, fica exposto ao tempo, ao ar e ao contato direto.

Exposto, amadurece.

Resseca.

Perde viço, apodrece.

E, quando chega sua hora, pode também ser removido.

Assim o processo se repete, camada após camada.

Aplicado à biblioteca, significava o seguinte: quando eu chegava a algo que fora muito importante para mim, não o descartava de imediato. Permanecia diante dele e dos livros ao redor, esperando que o novo anel exposto amadurecesse o suficiente ou mesmo apodrecesse.

Nesse processo, que era mais lento, comparando minha coleção do Nobel com outras literaturas, cada qual entrava num processo de amadurecimento, maturação e apodrecimento em relação ao outro. Comparando obras antes intocáveis com outras já dispensadas, o valor simbólico de cada uma ia se alterando.

De modo que da coleção foram quase todos os títulos.

Com essa ida, um novo anel se abria no acervo restante.

E cada vez mais ficava lento o processo de secagem e mesmo decomposição do anel a ser partido.

Esse processo levou outras cinco estantes.

Hoje restam duas, e algumas pequenas pilhas ainda em cura, talvez destinadas a partir.

O espaço físico desse acervo diminuiu.

A persistência material da memória de um mundo antigo e imenso deixou de pesar tanto no consciente.

E meu mundo consciente, mais presente, está aprendendo que a persistência da memória é condição da existência, mas também que a repetição do físico antigo, pertencente a recortes temporais longínquos, mantém acesas sensações daquele (ou de um) tempo, relativas a assuntos que muitas vezes não permitem ao inconsciente encerrá-los.

É permanecer mais presente no único mundo que de fato existe: o hoje.

Ou, ao menos, num recorte de persistência de memórias não tão longínquas.

Daí o desafio passa a ser outro: qual raio temporal definir para as coisas, e quais daquelas essenciais nem mesmo esse raio pode atingir. 

Pois há persistências que resistem a toda poda.

Exemplo fácil de memória duradoura, a ponto de acompanhar o início da existência, é o nosso nome, atribuído a nós antes mesmo da nossa própria consciência de si.

Haverá memória mais duradoura que ele no consciente atual?

Coisas e objetos não apenas ocupam espaço: continuam lembrando, por nós, memórias que já não fazem sentido.

É preciso entender quais anéis (elas) perderam viço, apodreceram, e já podem partir.

domingo, 19 de abril de 2026

O PEQUENO UNIVERSO DAS CONEXÕES

 O PEQUENO UNIVERSO DAS CONEXÕES

 

Inscrevi-me no Substack.

Disseram-me que ali ainda seria possível criar conexões, por guardar alguma semelhança com o que o Facebook foi em sua origem. 

 

Observando o ambiente, não vejo isso prosperar. 

Posts com milhares de curtidas já bastam para desfazer essa promessa.

Talvez reste ali apenas uma versão alternativa do Twitter (X). Nada além disso.

 

As ferramentas de postagem aberta carregam um problema que pouco enfrenta a condição humana:

nossa capacidade limitada de interagir profundamente com muitas pessoas ao mesmo tempo.

 

O sistema de postagem aberto opera na direção contrária.

Ele estimula bolhas populistas.

E todo populismo é raso.

O populismo busca o universal.

Mas o universal, por sua própria natureza, suprime as particularidades – justamente aquilo de que depende toda interação profunda entre seres. 

 

Por isso, curiosamente, destacam-se melhor os ambientes dos jogos.

Ferramentas que reúnem, em média, quatro participantes.

Pequenos grupos.

Presenças contidas.

Dali nascem extensões naturais, como nos canais do Discord, onde novos núcleos se formam.

 

Pode-se condenar os gamers e suas formas de convivência.

Mas suas ferramentas talvez sejam hoje as mais eficientes para criar conexões reais no mundo virtual.

Porque obedecem a uma lógica simples:

o pequeno universo dos presentes.

 

É a mesma lógica dos clubes de leitura, dos grupos de corrida, das rodas pequenas que ainda sobrevivem no mundo físico.

Universos finitos.

Lugares onde cada presença importa.

 

Quando as plataformas digitais compreenderem isso – e condicionarem a interação ao nível do particular – talvez seja possível criar vínculos profundos também fora dos mundos do jogo.

Do contrário, continuaremos presos aos posts populistas.

Mesmo quando vestidos de intenção filosófica.

 

Resta, então, a humildade de reconhecer:

às vezes, as plataformas alternativas continuam necessárias, pois valho-me delas para falar em sentido contrário ao que elas próprias promovem.

 

sábado, 4 de abril de 2026

Tempos tais dos quase quarenta

 Tempos tais dos quase quarenta

“Tempos tais em que se está próximo e se está, na verdade, longe. Em que se está longe, mas, na verdade, se está perto. Em que ser é não ser, e não estar é uma forma de ser.


A vida atual com os outros é um quase: um quase acontecimento, um quase relacionamento, um quase amor, um quase infinito que é o mesmo que nada.

 

Dizem muitos filósofos que o existir começa no pensar, para depois o agir fazer acontecer, sendo esta a base do sentido humano. Mas os filósofos atuais diriam para ficarmos apenas no pensar, pois agir é ir além e correr o risco do risco 


A educação atual é, antes de mais nada, a vocação da segurança: nunca se pode agir se não for possível prever um cenário seguro. Como não há nada de previsível, não é possível ter segurança; então, não se pode agir.


O agir, então, passa do campo físico para o metafísico. Ele vai para o pensar sem existir. Retroalimenta o pensar, o quíntupla. Nesse não agir, o pensar era um namoro que se quíntupla na metafísica do agir, em um casamento de setenta anos, mas que, na realidade, as pessoas nem de fato se viram presencialmente.


É a Era do quase, quando o agir deixou de ser físico para ser metafísico e, nessa anomalia, o que se dá são mundos do pensar tão longes que não existem. Uma clara disfunção entre o real e o virtual.”


Foi assim que Joseph narrou, em seu diário, depois de semanas, a experiência que entendeu ser, na pessoa encontrada, o amor de sua vida.

 

Vale aqui contar esta história.

 

Tudo começou pelos aplicativos modernos que permitem conexões, mesmo distantes no plano físico. 


A prosa andou rápida. Eram dois pretensos amantes com os mesmos problemas de vida. Ambos nas exaustivas ocupações de trabalho. Ambos muito sinceros com as pretensões, com as vontades, com os desejos. Intensos no debater do cotidiano, do dia a dia, que, mesmo na superfície, permitia debates profundos.

 

Até então, embora cheios um do outro, plenos de virtualização um do outro, sentiram: é preciso agir, existir. 

 

Daí começaram os inícios dos tropeços. As tentativas não ocorriam. Mais desencontros. Porém, as conversas virtuais eram intensas.

 

Foi num tropeço de postagens de internet que furam a mente que Joseph entendeu que caiu na metafísica do agir. Na página, dizia sobre os sete sinais de que a pessoa não estava nem aí para você e, bingo, todos estavam nas conversas de tentativa de encontro. “Essa semana tá corrida”; “Vamos ver”; “Depois a gente marca”; “Esqueci que tenho outro compromisso” eram frases rotineiras da pessoa que Joseph, no seu imaginário metafísico, viu futuro que, de longe, nunca existiu e iria existir.

 

Quando entendeu, o sentimento foi de muita estranheza. Como pode alguém do outro lado alimentar algo que não se quer alimentar? Seria o outro lado um robô? Como alimentar intensos debates para um quase? Seria uma psicopatia nova? 

 

Joseph simplesmente percebeu que não é possível entender, pois não se pode entender um quase, uma tentativa de algo que nunca existiu.

 

Para Joseph, mais se alumia o que os sábios mais sábios já diziam: o mundo está tão estranho que é preciso se retirar dele nas montanhas.

 

Qual será o agir de Joseph? Perguntei ao meu assistente ChatGPT e, depois de longas considerações curiosas, a resposta: 


Sugestão de fechamento possível (mantendo seu estilo):


Joseph entendeu, enfim, que o problema não era o outro.

Era o mundo que havia desaprendido a acontecer.


E talvez agir, agora, não fosse mais encontrar alguém —

mas recusar tudo aquilo que não chega a existir.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Reação do mundo sobre nós mesmos: a invisibilidade

Nosso corpo nem sempre é aquilo que a gente projeta sobre nós mesmos quando olhamos a nós mesmos no espelho, quando tiramos uma foto.

O mundo que nos vê e reage sobre nós é a linguagem que ele dá ao nosso corpo, à nossa expressão corporal. Nem sempre esse modo de o mundo nos ver é igual àquela que nós projetamos sobre nós mesmos. Digo mais. O como o mundo nos vê está muito distante daquilo que projetamos.

Essa falta de correlação entre o que projetamos sobre nós mesmos e o modo que de fato o mundo a nossa volta nos vê causa estranhezas de todas as ordens quando tomamos de fato consciência sobre essa distância, porém traz clareza sobre traumas mal compreendidos ou mal resolvidos.

Daí é preciso compreender a nossa referência de si mesmo a partir do mundo que nos enxerga e não daquilo que a gente projeta de si de forma isolada.

Na verdade, é fazer se compreender projetando-se a si mesmo a partir do mundo e não a partir daquilo que a gente quer ser.

Eis aqui a raiz dos grandes traumas que talvez sintamos dia a dia: pensar ser alguma coisa e o mundo nos entender e reagir sobre nós de outra forma.

Com o tempo percebi essa distância entre a projeção de mim sobre o mundo e o que o mundo pensa e me vê como eu mesmo.

Percebi que a projeção de mim mesmo era de um anjo intocável focado no belo desejado. Mas percebi com o tempo que o mundo, principalmente por conta da idade, não pensa, não reage sobre mim dessa forma, sequer me vê dessa forma.

Quando se percebe essa falta de correlação há um choque de realidade. Nessas condições ou se entra em trauma se enlouquecendo, se adoecendo ou se encontra saídas e soluções.

A solução talvez esteja em fazer essa projeção reagir como o mundo reage sobre você, claro de um modo especial e particular.

Nesse meu caso particular, o mundo não me observa, nesse caso particular o mundo me vê como invisível. No começo é assustador pensar e saber que é invisível aos outros, pensar e saber que os outros não tomam você com atenção. Mas depois de um tempo buscando esse objetivo de tomar a projeção de si mesmo como a mesma forma que o mundo te vê, ou seja, um mundo te vendo como invisível, automaticamente você começa a compreender que você é invisível, entender que sua imbricação com o mundo é ser a própria invisibilidade.

Claro aqui não trato das reações do mundo que são virulentas fisicamente. Pois aqui, a saída e solução seriam o ser se afastar desse ambiente ou se rebelar fisicamente a ele. Estou aqui em nível de projeção sobre aspectos psicológicos, que se mesmo após essas situações a solução continuar ainda traumática, a melhor solução é se afastar do ambiente nocivo e buscar medidas outras.

Agora, voltando a este meu caso particular, transformando essa nova percepção com o mundo em energia positiva, em algo bom para você mesmo, você compreende que ser invisível é talvez a maior das artes.

Ser invisível é poder estar em todos os lugares sem ser julgado, é poder estar em todos os lugares sem ser tocado, é poder estar livre, livre para circular. Claro que eventualmente somos julgados nos ambientes que estamos. Porém, se sentir invisível tira o peso do julgamento que eventualmente existirá.

No fim das contas, esse é um dom que o mundo me deu. Hoje não vejo como rejeição. Não vejo como falta de afeto. Vejo como uma naturalidade daquele ser que circula e não é ameaçado, que circula e não é desejado. Mas essa rejeição, essa falta de apego a este indivíduo gera uma força sobre o mundo por poder este individuo estar sobre, entre ele e estar nele livremente e sem embaraço.

Isso é tremendamente libertador, isso dá liberdade, isso talvez seja a liberdade. Já diria Victor Hugo: estar abandonado é estar livre. Saber lidar com o abandono é um desafio, mas depois que você descobre a importância de estar abandonado essa rejeição muda seu caráter de algo traumático para algo benéfico.

Minhas últimas sínteses têm sido: esteja abandonado (mesmo que por força maior) e esteja livre!

domingo, 3 de maio de 2020

"Muita vez, a causa principal da pobreza, em ciência, é a riqueza presumida. A finalidade da ciência não é abrir a porta ao saber infinito. Mas colocar um limite à infinitude de erros. Tomem as suas notas." A vida de Galileu, de Bertolt Brecht

Em tempos em que ciência deve coordenar as ações políticas, vários políticos tomam para si uma riqueza presumida de saber como se dará ou não determinada medida. Nada mais fazem do que pobreza em ciência (ou melhor, não ciência).

A ciência que aponta hoje é a riqueza de saberes de vários anos, décadas, centenas de anos. É a que tem métodos antigos e muitos testados para as séries históricas e dados testáveis para os tempos de hoje.

Por outro lado, apostar na presunção de uma fátua experiência individual de vida que não passa de três a seis décadas de experiências, e de que, a partir delas, se sabe conduzir, é nada mais que riqueza presumida, como bem desenhou Brecht, nada mais é que arrogância das mais pueris.

Eu, nessa história toda, fico com a ciência de Galileu, fico com a ciência de Brecht, fico com os cientistas de hoje que não fazem de suas ciências apenas um apanágio de riqueza presumida, de uma arrogância pessoal.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

No mundo que vivo ninguém quer saber o que tenho a dizer. Então, aprendi a não falar. Reverter tudo pra minha imaginação é o que se deu para fazer. Ainda bem que este campo é infinito. Mas para ser fértil é preciso estar longe do mundo externo que não quer ouvir o meu dizer, pois o que vem de fora atinge o que vem de dentro. Daí não viver, ou viver cada vez menos, socialmente é o caminho que irriga o solo da minha imaginação. Tenho feito, e digo que viver assim traz mais conforto.

domingo, 22 de abril de 2018

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As coisas são mais belas distantes. Quanto mais próximo estamos delas, mais aumenta o desafio por mantê-las ainda belas. Até que de uma admiração e contemplação passa-se a um estágio de repulsa, de hostilização, de um caça aos erros e falhas. Mais anos vão, mais anos vêm, e percebo cada vez mais que esta síntese se aplica a quase todas as relações humanas, sejam elas entre humanos e objetos ou entre humanos e humanos. Daí é fácil apreciarmos ídolos musicais, pois que distantes estão. Daí que hostilizamos aqueles que estão próximos, pois mais fácil identificar seus erros e falhas. A solução seria fácil: compreender sempre as coisas e as pessoas até o limiar da porta de seus universos, sempre à distância, nunca mergulhar em seus mundos ou perscrutar seus detalhes. Do meu lado, fui para outra solução, tenho sido míope quando mais próximo estou, diminuindo o rigor da minha moralidade.
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