O PEQUENO UNIVERSO DAS CONEXÕES
Inscrevi-me no Substack.
Disseram-me que ali ainda seria possível criar conexões, por guardar alguma semelhança com o que o Facebook foi em sua origem.
Observando o ambiente, não vejo isso prosperar.
Posts com milhares de curtidas já bastam para desfazer essa promessa.
Talvez reste ali apenas uma versão alternativa do Twitter (X). Nada além disso.
As ferramentas de postagem aberta carregam um problema que pouco enfrenta a condição humana:
nossa capacidade limitada de interagir profundamente com muitas pessoas ao mesmo tempo.
O sistema de postagem aberto opera na direção contrária.
Ele estimula bolhas populistas.
E todo populismo é raso.
O populismo busca o universal.
Mas o universal, por sua própria natureza, suprime as particularidades – justamente aquilo de que depende toda interação profunda entre seres.
Por isso, curiosamente, destacam-se melhor os ambientes dos jogos.
Ferramentas que reúnem, em média, quatro participantes.
Pequenos grupos.
Presenças contidas.
Dali nascem extensões naturais, como nos canais do Discord, onde novos núcleos se formam.
Pode-se condenar os gamers e suas formas de convivência.
Mas suas ferramentas talvez sejam hoje as mais eficientes para criar conexões reais no mundo virtual.
Porque obedecem a uma lógica simples:
o pequeno universo dos presentes.
É a mesma lógica dos clubes de leitura, dos grupos de corrida, das rodas pequenas que ainda sobrevivem no mundo físico.
Universos finitos.
Lugares onde cada presença importa.
Quando as plataformas digitais compreenderem isso – e condicionarem a interação ao nível do particular – talvez seja possível criar vínculos profundos também fora dos mundos do jogo.
Do contrário, continuaremos presos aos posts populistas.
Mesmo quando vestidos de intenção filosófica.
Resta, então, a humildade de reconhecer:
às vezes, as plataformas alternativas continuam necessárias, pois valho-me delas para falar em sentido contrário ao que elas próprias promovem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário