Palavra do Dia por Priberam

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PEQUENO ENSAIO SOBRE O DOGMÁTICO DUVIDOSO

"Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo "

Raul Seixas


Sou dogmático duvidoso.


Em certos momentos tem de se firmar em um dogma e agir em favor dele, pois senão ficaremos num estado pusilânime e sendo passível de não encontrar algum valor e sentido na vida. Por isso sou dogmático duvidoso. Estruturo-me em um dogma, ajo em favor dele e depois quando soar neste dogma alguma dúvida, eu o golpeio traiçoeiramente, saindo do estado dogmático e indo imediatamente para o estado duvidoso.


No estado duvidoso parece-se com o tédio revestido de inquietações, mas com necessidades. O estado duvidoso tem como elemento principal a dúvida que é a fonte mais pura da verdade, pois não credita nenhuma expressão com relações positivas ou negativas. O sujeito que duvida, duvida do bom e do ruim, da vida e da morte, da luz e da escuridão, da arte e da técnica e assim sucessivamente.


A dúvida coloca em Xeque os eruditos, a igreja cristã, os conservadores e até mesmo os radicais. Arma suja, de caráter estratagêmico, que leva e levou muitos homens ao suicídio.


Se há algo de verdadeiro no mundo externo em que se possa tocar é a dúvida, porque o resto fica por conta da confiança.


O que seria de Karl Marx sem a dúvida, pois quando ele duvidou da estrutura mercantil vigente no estado liberal da época, e a partir daí revelou o mar de misérias que o antagonismo de classes passava, criando um novo paradigma social para a resolução desses problemas. Tudo isso por causa da dúvida.


Ela que está na essência da famosa frase de Voltaire:

"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."


O próprio dogma é criado da dúvida, pois o dogma surge da repetição reiterada de determinadas ações semelhantes e particulares de caráter duvidoso, mas que quando nesta repetição apresentam resultados iguais ou aparentemente iguais formam o dogma.


Se eu for um sujeito imanente na dúvida, me torno dogmático, pois o meu dogma será a dúvida, então prefiro ser um dogmático duvidoso.


Credito, aqui, as pessoas que me influenciaram para este texto, Prudhomme e Raul.


Obs.: Dedico meu Blog para experimentar e melhorar minha escrita.

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