fulvio faria

Palavra do Dia por Priberam

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Um carro fiat uno passou acelerado pela rua!

Um carro fiat uno passou acelerado pela rua!

São pessoas querendo partir o mundo. Pegando-lhe a maior parte sempre quando possível. Mal surte a pequena felicidade e a querem. Mas quando vão ao encontro dela para possui-la caem num estrondoso tédio. Como são infelizes. Realmente o são por falta de qualificação. Em que tempo já se percebeu que todos que se dizem homens já conseguiram a felicidade plena livre de sofrimentos? Em tempo nenhum. Dizem que está tudo certo e tudo bem, mas sabemos que não é assim. Repelem-nos quando dizemos verdades, pois inconscientemente dizemos: não há esperança. E muitos não querem crer em tal negação.

Esperança é esperar, esperar algo, que está no futuro. Ora, quem vive de esperança não vive e sim se ausenta ao seu tempo a espera de um melhor. Mas veja, um douto me disse que o tempo em-si não existe, o que existe é o movimento, e o movimento só é perceptível ao agora, ao presente; ao passado só é possível representar, como um belo casal que reproduz Romeu e Julieta, não o reproduzem na perfeição em que se criou. E o futuro? Pobre coitado, nem foi movimentado, vive de especulações.

Disseram-me que não estou bem, que minhas férias me fizeram mal. Se isto ocorreu, não sei. Mas sei que ela me fez desvalorizar mais a pobreza eterna do homem: a ignorância petrificada. Esta que vem com os homens e dele não sai por vontade do próprio homem. Como seriam tristes se soubessem da verdade. *[Mas qual verdade?]

Escrito em meados de 06/08/2009

* post scriptum na data dessa publicação

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

UMA IDEIA FIXA NUMA COLAGEM

UMA IDEIA FIXA NUMA COLAGEM

Fui convidado pelo Movimento Laranja para participar da Collage Coletiva. Conferi o conteúdo da proposta, conferi seus trabalhos e achei bem interessante participar desse momento, ainda mais que estou numa fase da vida de muita introspecção. E, também, porque os trabalhos de colagem sempre foram para mim como são os samples na música eletrônica.

Na sexta-feira, preparei alguns materiais para levar, tinha algumas revistas da OAB que não usava e algumas delas sequer lido qualquer página, tinha uns jornais de grupos universitários das instituições que visito. Tinha algumas edições do Le Monde Diplomatique. Levei também alguns materiais para doação ao movimento da época que coordenava projetos sociais, como tesouras e giz de cera.

Cheguei no sábado já bem ameno depois de uma correria que foi a parte da minha manhã, já que eu precisava comprar um celular novo por conta do que tinha quebrado na sexta-feira a noite e ainda arrumar a fechadura da porta de casa. Superado isso tudo na parte da manhã, estava eu na casa 282.

Quando cheguei já fazia alguns minutos que tinha começado a aula de yoga. Então, por respeito aos que lá estavam e já tinham chegado, preferi aguardar na garagem. Além que espiritualmente estava bem agitado para arriscar a imersão no yoga. Por um lado, essa espera foi boa pois que apareceram duas amigas com as quais proseei e fui entrando numa calmaria necessária para o ócio criativo que se avizinhava.

Acabado a aula de yoga, vocês nos convocaram para o início das atividades. E eu já estava certo que queria, eu, entrar numa imersão de samplear, digo, fazer colagens. Você fez as orientações, mostrou alguns trampos interessantíssimos, e depois todos mãos à obra.

Como eu disse, estava disposto a entrar na imersão da arte. Foi então que peguei algumas revistas sobre a mesa e comecei a folhear e capturar fragmentos que podiam me levar a alguma construção de sentido ou narrativa. Foi assim com a primeira revista que quase deu todo o banco de imagens necessários para eu fazer a minha colagem, e já dar ideias de uma possível narrativa a ser construída. Depois folheei outros jornais para coletar outros fragmentos que pudessem colaborar com a narrativa que se estava por construir.

Coletada as imagens, precisava eu tratá-las, melhor, recortá-las dentro daquilo que podia surgir. Foi quando sentei num canto da sala e comecei a fazer este processo que era ao mesmo tempo de recorte, de imersão, de reflexão, e de composição. Como se a colagem, percepção e memória fossem um só, mesmo parte desses elementos estando fora de mim, foro do sujeito.

Fui construindo a colagem. A narrativa inicial era uma, e na medida em que ia formando os quadros possíveis, a narrativa ia ganhando outro sentido, até que ao final precisei coletar mais fragmentos para completar a narrativa final que com relação à primeira ideia guardava pouco sentido.

No final conclui uma imagem, esta:


Que me deu uma série de reflexões.

Depois da conclusão, foi quando fui tomar um café e nos encontramos.

As minhas reflexões sobre a obra e seu processo, digo colagem, eram, como eu tinha te relatado, como ela me levou a uma imersão na construção. De como essa imersão permitiu uma coisa que me incomodou com a obra, qual seja: como ela reflete o momento em que estamos vivendo. Por isso eu reforcei a ideia de sample, porque era a mesma sensação quando faço isso com música. Explico-me.

O que percebi naquele momento é que o processo de coleta de imagens é totalmente influenciado pela nossa história, momento que estamos vivendo, ou pelo que chamo as vezes de ideia fixa a que estamos no momento. E no final eu vejo que uma ideia fixa que está me permeando nos últimos meses sai na obra final, embora a narrativa/proposta inicial guardava com ela pouca relação. Por isso menciono que, na imersão, é como se os fragmentos de imagem e a percepção do indivíduo (no caso, eu) fizessem parte de um ser só, ou seja, era como se os fragmentos de imagem estivessem na composição das minhas memórias e imaginação, e estas são sempre afetadas por aquilo que estamos sentindo em determinada época. E, o que mais me incomodou foi como, com os fragmentos coletados, consegui dar sentido ao final a uma narrativa da ideia fixa que vem me permeando nos últimos meses.

Usamos óculos para ampliar nosso campo de visão, ver mais e melhor. Usamos bicicletas, automóveis e etc. para andarmos mais, podermos nos locomover mais. Usamos caixas acústicas, microfones com caixas de som, para podermos amplificar e aumentar mais nossa voz. Usamos vários instrumentos para aumentar nossa percepção. E na colagem, principalmente naquele relato que te fiz, tive a impressão de ter ampliado o sentido da minha expressão, das minhas ideias. Para se expressar uma ideia na escrita é necessária muita experiência de vida, bastante vocabulário e etc. E sem dúvida aquilo que expressamos reflete muito aquilo que vivemos, salvo se estivermos muito propensos a aleatoriedade, o que não foi o caso comigo. E posso dizer: as imagens coletadas eram meu vocabulário naquele momento, eram o meu modo de expressar minha ideia fixa.

escrito em 18/07/2017 por Fulvio Machado Faria endereçado a N.A.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

tenho por mim a cada dia mais que o vetor interesse público é definido por quem está no poder estatal, seja pela eleição ou cargos de alto nível que modelam políticas públicas. seria um vetor indeterminado cujo conteúdo é definido por aquele que está com as rédeas nas mãos. embora haja textos, principalmente na peça constitucional, em que se tenta curvar o governante a mirar certos interesses ditos públicos, estes textos normalmente ou quase sempre são definidores de competências-programáticas com muita amplitude na definição do seu conteúdo. por exemplo, guardada as proporções, define-se que saúde é universal e para todos, mas que tipo de saúde? a saúde que remedeia ou a que informa? nesses "que tipos de" que está toda a liberdade para aquele que está no poder definir como de interesse público aquilo que o grupo dele acha conveniente. pois queremos todas educação, sim, todos queremos educação, mas que tipo de educação? a que retira história e geografia do currículo, ora mas não quero isso, porém o que está lá quer.

Fulvio Machado Faria

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pour lui, être abandonné, c’était être délivré


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Demonstrava seu amor na prática por ações cotidianas. Situações em que ajudava o outro para possibilitar conseguir aquilo que queria. Era dedicando tempo para essas ações que demonstrava seu amor. Ora, ao dedicar tempo para ajudar o outro a se tornar aquilo queria ser, realizar aquilo que queria, era seu modo de demonstrar amor. Porém, não era o suficiente, ou não era na verdade aquilo que tinha valor. O outro esperava apenas palavras mesmo que não fossem verdadeiras, repetidas vezes, dizendo: eu te amo. Eu te amo. Queria o outro apenas ouvir isso de forma repetida, mesmo que valor algum houvesse. Não falar isso era egoísmo. Esse foi o descompasso que colocou o fim. Em reflexões vindouras, se amor é apenas repetir “eu te amo”, então é preferível não amar. Ou, àquilo que realmente é valoroso numa relação, não chamar de amor. São apenas palavras, que sem valor, sentimento, nada são. Os sentimentos e valores na dedicação não eram vistos, percebidos. Está aí talvez a demonstração das relações líquidas. Se era amor ou não, o que sempre valeu era o sentimento, e este sempre existiu e será eterno.
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"Pour lui, être abandonné, c’était être délivré"

Fulvio Machado Faria

domingo, 4 de dezembro de 2016

je vis extrêmement bien avec peu

Fulvio Machado Faria

domingo, 30 de outubro de 2016


O rumo das coisas não está claro. Estou sem muitas certezas morais. Na verdade. Para ser sincero, não sei mais o que moralmente é correto. Estou sem padrão definido para agir socialmente. Parece que as coisas se justificam pelo seu determinismo. Dizem que é o cansaço acumulado. Pode ser. Não vejo luz ao final. Parece que daqui para frente é seguir agindo apenas para sustento próprio dentro de limites formado pelo caráter, este que não se preocupa mais com tantas coisas, talvez apenas uma, o respeito ao próximo e às suas razões. No fim das contas viver muito a vida pragmática me tirou o ócio criativo e me colocou na certeza de que nada mudará, os erros, sendo moral, serão sempre os mesmos. Tenho cada vez mais a certeza que a desigualdade é propulsora das maiores dores. Principalmente daqueles que ficam na base sem qualquer condição material de tocar uma vida digna. Acho que posso apenas desejar sorte e luz. Sorte para os futuros nascerem numa família que lhe dê mínimas condições de vida. E luz para aqueles que não nasceram/nascerão em famílias com boas condições econômicas para que um dia possam sair da miséria. Do mundo d’“Os Miseráveis” é a “Comédia Humana”.

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