Palavra do Dia por Priberam

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Memórias de Kroeger



Não trabalhava como alguém que trabalha para viver, trabalhava como alguém que nada mais quer senão trabalhar, porque como ser vivente não se dava nenhum valor, só desejando ser considerado como criador, vagueando, de resto, em cinza e sem ser notado, como um ator sem sua maquilagem, que nada é enquanto não tem o que representar. Trabalhava silenciosamente, recolhido, invisível e cheio de desprezo pelos pequenos, para os quais o trabalho era um enfeite sociável, os quais, fossem pobres ou ricos, se exibiam selvagens e rotos ou luxavam com gravatas pessoais, que em primeira linha intencionavam ser felizes, gentis e levar uma vida artística, desconhecendo que as boas obras só se formam sob a pressão de uma vida dura; que aquele que vive não trabalha e que é preciso ter morrido para ser um completo criador.


Alguém que interiormente tem uma vida tão mais difícil que outros tem o direito de reivindicar um pouco de conforto exterior.



*Thomas Mann - Tônio Kroeger

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